terça-feira, 28 de maio de 2019

DORINA NOWILL É HOMENAGEADA PELO BUSCADOR GOOGLE


Quem acessou o Google, dia 28/05/2019, pode conferir que na página inicial desse buscador havia a imagem de Dorina de Gouvêa Nowill (1919-2010), uma homenagem realizada por essa empresa  por meio do Doodles do Google, pelo centenário dessa mulher educadora e ativista que sempre defendeu os direitos das pessoas com deficiência visual. 



Fonte da ilustração: reprodução do buscador google.
Descrição: Ilustração de plano fundo verde, na forma horizontal, apresenta a palavra Google escrita em  tinta e no Sistema Braille, sendo que essas letras estão na cor branca e os pontos Braille estão nas cores azul, vermelha e verde. No centro desse logotipo, há a imagem de perfil  da educadora Dorina Nowill. Ela,  uma senhora idosa, está sorridente; tem a pele branca, usa cabelo curto na cor marrom,  óculos no tom roxo, batom na cor vermelha, conjunto de colar e brinco na cor amarela e um blusa na cor azul. 

A "mulher que enxergava o mundo com os olhos da alma", assim  ficou conhecida.

Saiba mais sobre essa educadora acessando o site da fundação que levou o seu nome:


sexta-feira, 24 de maio de 2019



O Centro de Apoio Pedagógico para Atendimento às Pessoas com Deficiência Visual - CAP-AC, Rio Branco-Acre, oferta Cursos de Formação para professores, mediadores  e comunidade. 
Cursos da 2ª oferta:

Técnicas do Sarobã;
Pré-Braille: metodologia de Alfabetização no Sistema Braile;
Baixa Visão;
Técnicas de Leitura e Escrita no Sistema Braille.

Período de inscrições: 29 e 30/05/2019

Local das Inscrições:  
No CAP - AC (localizado na Estrada Alberto Torres, 825, Conjunto Mariana, anexo do Núcleo Estadual de Tecnologia Assistiva - NETA.

Documentos necessários: 
-  Documento de identidade (original e cópia);

- Certificado de conclusão de Ensino Médio ou Ensino Superior (original);
Leia essa matéria na íntegra acessando o seguinte link:



quarta-feira, 17 de abril de 2019

DIA NACIONAL DO BRAILLE É COMEMORADO EM RIO BRANCO - ACRE COM UMA VASTA  PROGRAMAÇÃO:



Dia 8 de abril - Panfletagem e um delicioso café da manhã


Descrição: Fotografia, na forma horizontal, apresenta como plano de fundo céu azul, semáforo e algumas lojas. Na parte central da imagem, há  professores e contadores de história na faixa de pedestre segurando uma faixa de fundo branco contendo a seguinte mensagem: 8 DE ABRIL: DIA NACIONAL DO BRAILLE/"A LEITURA NA PONTA DOS DEDOS."/CAP-AC/ADEVI. A contadora de história usa vestido na cor laranja, meias brancas e sapatilhas. O contador de história segura uma pasta na mão contendo seis pontos que simulam a cela Braille,  usa um chapéu contendo flores, uma calça comprida marrom, uma blusa branca, um colete calça marrom e uma sapatilha jeans contendo detalhes formados por pedaços de retalhos. Os professores usam blusas nas cores brancas e pretas, calça jeans, sapatilhas e tênis, dentre os quais duas usam aventais que têm rostos de bonecas e corpos que simulam a cela Braille. 
Confira a matéria da panfletagem clicando aqui!

8/04 - Workshop sobre Produção de Livros Acessíveis
Descrição: Fotografia colorida, na forma horizontal, mostra  no plano de fundo, participantes do Workshop em uma sala sentados em cadeiras.   Logo a frente, há 04 participantes próximo há uma mesa, sendo três mulheres de meia idade e 01 homem, manuseando materiais adaptados como livros didáticos e paradidáticos, recursos, tais como cela braille.

09/04 – Terça-feira -  Ação Formativa sobre Mediação de Leitura Inclusiva 
O evento aconteceu  no horário das 8h às 11h, na Sala de Formação do Núcleo de Atividades de Altas Habilidades Superdotação/NAAH/S do Núcleo Estadual de Tecnologia Assistiva – NETA e teve como Mediadora:  Perla Assunção da  Rede de Leitura Inclusiva da Fundação Dorina Nowill.

Descrição: Imagem apresenta do lado esquerdo três quadros, sendo que o primeiro  há participantes sentados em círculos; a segunda apresenta cinco mulheres em pé pousando para fotografia, dentre as quais 04 usam óculos de grau, 01 usa vestido jeans, 01 usa um avental  que tem cabeça de bonecas e corpo que simula a cela Braille; na terceira imagem há participantes selecionando limão em uma cesta feita de cipó. Do lado direito, há a imagem da mediadora Perla Assunção, de perfil, realizando a apresentação do livro infantil falado. 
Fonte da imagem: Multimeios/SEME/Rio Branco/AC

10/04 – Quarta-feira - Cinema Acessível 

 Horário: das 8 às 10 horas (Público Adulto)
               das  14  às 16 horas (Público Infanto-Juvenil)
Local: Auditório do prédio da Coordenação da Educação Especial. (Rua Omar Sabino, 650, Estação Experimental).




segunda-feira, 9 de abril de 2018

Exposição marca Dia Nacional do Braille em Rio Branco

Adaptação da matéria de Iryá Rodrigues, G1 AC, Rio Branco


Exposição marca Dia Nacional do Braille em Rio Branco (Foto: Divulgação CAP/AC).


Uma exposição celebrou neste domingo (8) o Dia Nacional do Braille. A mostra aconteceu das 16h às 20h, na livraria Nobel, no shopping de Rio Branco.

O objetivo, segundo a organização, é sensibilizar a população para o método de leitura, que dá acesso às pessoas com deficiência visual ao mundo das letras.

A coordenadora do Centro de Apoio Pedagógico para Atendimento às Pessoas com Deficiência Visual do Acre (CAP-AC), Gercineide Maia falou sobre a programação do evento e convidou a população para prestigiar.

A ação envolveu música ambiente apresentada por uma pessoa com deficiência visual, além da exposição de material pedagógico em braille e contação de histórias para as pessoas com deficiência.

“Tivemos a distribuição de panfletos com alfabeto braille, serviços do CAP e sobre a data comemorada. O objetivo da ação foi divulgar a importância do uso do sistema braille para o desenvolvimento da pessoa com deficiência visual e também a política pública educacional que existe no estado voltada para essas pessoas”, disse Gercineide.


A coordenadora ressaltou que o Centro desenvolve serviços não apenas de formação, mas também de produção e uso da tecnologia assistiva, voltada para o atendimento das pessoas com deficiência visual no estado.

Evento expôs material pedagógico em braille produzido pelo CAP-AC (Foto: CAP/Reprodução)


Pessoas com deficiência visual no Acre

Conforme a coordenação do CAP-AC, dados do Censo Escolar 2017, apontam que existem mais de mil pessoas com deficiência visual em processo de escolarização em todo o Acre, sendo que, desse quantitativo, temos cerca de 50 pessoas cegas.

O número total de acreanos com deficiência visual é bem maior do que o divulgado no Censo, segundo a coordenadora do CAP, já que os dados levam em consideração apenas as pessoas em escolarização.

“Praticamente quase todos os meses, nós recebemos crianças com novo diagnóstico. No ano passado, recebemos entre os  meses de fevereiro e dezembro muitas pessoas com diagnóstico recente de deficiência visualEntão, são pessoas que não foram identificadas no Censo”, informou a coordenadora.

Braille

O dia 8 de abril foi escolhido como o Dia Nacional do Sistema Braille em homenagem ao nascimento de José Álvares de Azevedo, o primeiro professor cego brasileiro. Ele estudou o método Braille em Paris.


De volta ao Brasil, passou a ensiná-lo e a difundi-lo no país, recebendo posteriormente o título de “Patrono da Educação dos Cegos no Brasil”. O Braille é um sistema tátil de leitura e escrita utilizado por pessoas com deficiência visual em todo o mundo.

Acesse o link da Matéria veiculada no G1.

terça-feira, 13 de março de 2018

CAP/AC convoca escolas para adaptação de livros e materiais pedagógicos

Dayana Soares


Adaptação do material didático é feita de maneira personalizada (Foto: Eduardo Gomes/SEE)


O Centro de Apoio Pedagógico para Atendimento às Pessoas com Deficiência Visual do Acre (CAP/AC) está convocando professores e coordenações das escolas da rede estadual de ensino de todo o estado para adaptação em áudio ou tradução em braile dos materiais didáticos e pedagógicos para os alunos cegos ou com baixa visão.
Esse é um trabalho que o CAP/AC desenvolve há vários anos e está de acordo a lei nº 10.098/2000, que estabelece as normas gerais e critérios básicos para acessibilidade das pessoas com deficiência.
Porém, de acordo com a coordenadora Gercineide Maia, para que os materiais sejam adaptados, a instituição precisa que as escolas entrem contato e encaminhem os materiais dos alunos deficientes visuais.
“A escola que tiver um aluno cego ou com baixa visão, o CAP/AC está aqui para dar o apoio e orientação, fazer a avaliação educacional e produzir o livro, mas nós precisamos que as escolas entrem em contato conosco”, reforça.
Segundo o secretário de Estado de Educação e Esporte (SEE), Marco Brandão, com essa iniciativa o Estado garante um direito fundamental.
“O estudante com deficiência deve ser assistido pela rede. O CAP/AC é o instrumento que o governo disponibiliza para que esse aluno tenha esse direito garantido”, lembra Brandão.

Produções são revisadas e corrigidas sempre que necessário (Foto: Eduardo Gomes/SEE)

Um trabalho feito com amor

A coordenadora explica que todos os livros didáticos e paradidáticos podem ser adaptados de acordo com as necessidades dos alunos. Além disso, materiais como figuras e ilustrações também são adequados.
“Para os usuários do braile, os materiais serão traduzidos. Para os que ainda não foram alfabetizados no método, os livros serão adaptados em áudio”, esclarece.
As adaptações em áudio são feitas com o auxílio de programa de computador e os professores deficientes visuais fazem toda a revisão. “Às vezes o erro é imperceptível para a gente que enxerga, mas não escapará para o cego. Com essa identificação, os livros voltam e a gente refaz tudo”, explica a professora Janaína Freitas, uma das responsáveis pelas produções em áudio.

Todos os trechos escritos dos livros são narrados por uma voz padrão (Foto: Eduardo Gomes/SEE)

As figuras e ilustrações são feitas em auto-relevo e com diferentes texturas. Uma atividade que envolve muita paciência e criatividade das profissionais da instituição, entre elas as professoras Cristina Nogueira e Maria Otacília Pereira.
“Nós trabalhamos todas as disciplinas, desde as exatas até as humanas. Os mapas são os mais difíceis de adaptar. Nós usamos texturas diferenciadas. No mapa do Brasil, por exemplo, nós temos que usar 27 texturas diferentes”, explica Nogueira.
A professora Maria Otacília conta que a produção é feita com muito cuidado e é sempre bem vistoriada. Um único erro exige que seja refeito todo o trabalho, desde começo.
“A gente trabalha com o que pode e no que a gente faz. Procuramos colocar todo o amor e nossa dedicação, porque o deficiente visual está lá sozinho. Queremos que ele sinta nossa dedicação e aproximação, por meio desse trabalho”, acrescenta.

Impressora Braille


Material adaptado em alto relevo


Disponível em: http://see.ac.gov.br/cap-ac-convoca-escolas-para-adaptacao-de-livros-e-materiais-pedagogicos/  em 06 de março de 2018.




segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018


PAI DE ALUNA COM BAIXA VISÃO PRODUZ SOROBÃ GIGANTE EM CURSO DO CAP-AC

Escrito por Hyrla Mariano

O motorista de ônibus Sebastião Souza da Luz, 46 anos, é pai de uma criança com baixa visão. Ao conhecer o trabalho do Centro de Apoio Pedagógico para Atendimento às Pessoas com Deficiência Visual do Acre (CAP-AC), foi convidado junto com sua esposa Maria Geane da Costa, para participar dos cursos ofertados pela instituição, dentre eles, os cursos de Baixa Visão, Pré-Sorobã e Sorobã. 

A iniciativa de produzir um sorobã aconteceu durante o curso de Pré-Sorobã. De modo criativo, Sebastião  iniciou a produção, em fase de teste. O motorista presenteou a esposa com este primeiro sorobã, e em seguida, confeccionou outro para a professora capacitadora Fátima Santos, em uma atividade do curso.


Imagem: Professora capacitadora Fátima Santos e Sebastião Souza mostram o sorobã gigante.

O fato de Sebastião ter conhecimentos de carpintaria trouxe inspiração na hora da escolha dos diversos materiais. Inicialmente, ele foi até uma marcenaria próxima a casa dele e pegou a madeira. Logo, por ser motorista, ele observou que as bolinhas do forro da cadeira que ele utilizava no ônibus podiam formar as contas do sorobã. Os outros componentes foram sendo imaginados a partir do cotidiano do motorista, exemplos disso foram os eixos feitos com raios de bicicleta e o palito de churrasco para fixar as bolinhas.

O tamanho grande do sorobã chamou a atenção de todos e os próprios colegas de curso se encantaram com o trabalho artesanal de Sebastião, até que muitos passaram a encomendar sorobãs para ele. Até o momento, o motorista já produziu mais de 10 sorobãs, que variam entre o valor de R$80,00 a R$100,00, dependendo do tamanho e material utilizado. Sebastião também produziu um sorobã para a filha e ela participou do processo de produção, demonstrando muita animação para aprender mais sobre essa importante ferramenta.

“O curso de sorobã é muito importante, é muito bom que todos façam os cursos, principalmente os pais de crianças com baixa visão, pois o sorobã vai ajudá-las a melhorar o desempenho na matemática. Decidi fazer os cursos do CAP-AC por causa da minha filha, ela é minha maior motivação. Eu a envolvi também na produção do sorobã que fiz para ela e em breve vou ensinar um pouco do que aprendi no curso, destacou Sebastião.


Imagem: Katrine, filha de Sebastião, segura sorridente o sorobã que ajudou a produzir.

Quem quiser adquirir um sorobã produzido por Sebastião, entre em contato pelo telefone (68) 999454943.

SOROBÃ

Segundo alguns pesquisadores, o sorobã (ábaco japonês), como aparelho de contar e calcular, tem sua origem na antiguidade, sendo usado de forma rudimentar, muito antes da era cristã. Com a evolução do tempo, surgiram os modelos babilônicos que foram aperfeiçoados (os babilônicos calculavam, usando pedrinhas) e daí derivou-se o ábaco greco-romano e deste, o sorobã.

Para outros, a origem do ábaco é desconhecida, havendo afirmações de que se usou na Mesopotâmia, há 5 ou 6 mil anos e foi introduzido no Oriente através do Império Romano. De uma forma ou de outra, o seu uso espalhou-se tanto no Oriente como no Ocidente, ao longo dos tempos, chegando até os dias atuais, graças à grande aceitação e divulgação que teve, principalmente, entre os japoneses. 

O sorobã começou como um simples instrumento onde eram registrados valores e realizadas operações de soma e subtração. Posteriormente foram desenvolvidas técnicas de multiplicação e divisão. Atualmente já são conhecidas técnicas para extração de raízes (quadrada e cúbica), trabalho com horas, minutos e segundos, conversão de pesos e medidas. Também podemos operar com números inteiros, decimais e negativos.

O objetivo do uso do Sorobã é realizar contas com rapidez e perfeição, buscando alcançar o resultado sem desperdícios. Ele ajuda a desenvolver concentração, atenção, memorização, percepção, coordenação motora e cálculo mental, principalmente porque o praticante é o responsável pelos cálculos, não o instrumento. Esta prática  possibilita realizar cálculos em meio concreto, aumenta a compreensão dos procedimentos envolvidos e exercita a mente. O uso do sorobã pode ser feito por qualquer pessoa, independente de ter deficiência ou não.

SAIBA MAIS:


quarta-feira, 22 de novembro de 2017

José, o paulista que perdeu a visão e se tornou professor no Acre

Escrito por Eduardo Gomes


José Andrade Rodrigues, 67, convive com a cegueira há pelo menos 20 anos. O ex-mestre de obras é natural de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, e veio ao Acre pela primeira vez em 1985, trabalhar na construção de uma agência bancária. Foi aí que a vida dele mudou completamente.

Aqui, José conheceu a primeira esposa, com quem foi casado por mais de dez anos, e perdeu a visão durante um acidente de trabalho. Uma ponta de arame causou danos irreversíveis ao então mestre de obras: “Sempre fiz tudo, trabalhei a minha vida inteira e era independente. Foi difícil entender e fazer tudo diferente do que eu estava acostumado. Depois do acidente até voltei a trabalhar, por um ano e meio, na parte administrativa da empresa”, lembrou.

José conheceu o CAP em sua segunda vinda ao Acre.
(Foto: Eduardo Gomes/SEE)

O retorno ao Acre

Em 2001, a convite da família da ex-esposa, José voltou ao Acre para morar. Aqui ele se estabeleceu, conheceu o trabalho do Centro de Apoio Pedagógico para Atendimento à Pessoa com Deficiência (CAP/AC) e decidiu voltar a estudar.

Com auxílio dos profissionais do centro, ingressou na Educação de Jovens e Adultos (EJA), concluiu os ensinos fundamental e médio e fez a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Com uma boa nota, ele resolveu tentar uma vaga em uma faculdade particular. O então concludente do ensino médio se inscreveu no Programa Universidade Para Todos (ProUni) e foi selecionado para o curso de Letras. “Quando entrei na faculdade meu filho ficou maravilhado, pois ele também iniciou o curso superior em São Paulo, naquela mesma época. Ele teve alguns problemas durante o curso e eu acabei formando antes dele”, lembrou sorrindo.

 Hoje José tem smartphone com aplicativos específicos
(Foto: Eduardo Gomes /SEE)

O ingresso no CAP/AC

A vida do então estudante universitário mudou completamente. José passou a integrar a equipe do CAP/AC e auxiliar nas atividades oferecidas aos que, assim como ele, têm alguma deficiência visual.
Foram 12 anos como professor revisor. Era dele a responsabilidade de verificar se todo o material didático produzido pelos profissionais em mp3 e braille estava correto.

Mas não parou por aí. Depois da graduação e do aprendizado na prática, era hora de alçar voos mais altos. Foi então que José resolveu voltar ao banco da faculdade e se especializar em Educação Inclusiva. “Eu vi a necessidade de melhorar meus conhecimentos e tentar ajudar meus colegas com deficiência. Sei que é difícil vencer essas limitações, pois no ensino médio quando todos acharam que eu não ia acompanhar o restante dos alunos, eu cheguei a ser o aluno nota 10 da escola”, lembrou José.

Professor revisava materiais didáticos produzidos em braille.
(Foto: Eduardo Gomes/SEE)

Inclusão

José explica que, no meio em que vive, nem todo mundo tem acesso às tecnologias. Muitas vezes essa dificuldade é causada pela falta de conhecimento. Ele lembra que muitos serviços são oferecidos pelo poder público e estão a inteira disposição da sociedade. “Aqui no CAP eu conheci esse mundo chamado internet. Os profissionais são dedicados e nos ensinam tudo que precisamos saber. Além disso, nós temos outros recursos para aprender, audiolivro, braile, um programa que lê tudo que está na tela do computador”, destacou.

Hoje, José está inserido no dia a dia da cidade e no mundo virtual. Anda sozinho por Rio Branco, usa smartphone e baixa aplicativos específicos para pessoas com deficiência visual. Essas noções de tecnologia ele aprendeu com seus professores. “Às vezes, as pessoas não têm interesse de vir, a família também não incentiva. Hoje, uma grande maioria dos deficientes visuais conhece o CAP e tem a oportunidade de viver outra realidade”, disse.


José grava tudo que precisa lembrar no dia a dia.
(Foto: Eduardo Gomes/SEE)

Hora de parar?

José já está aposentado, mas não deixou de fazer suas atividades e estudar. Faz curso de informática no CAP, participa das palestras e oficinas oferecidas no centro e está se dedicando a um projeto especial, sua autobiografia.

O livro já tem pelo menos 30 páginas escritas. José diz que não pretende publicar o material, que deve ficar apenas para conhecimento dos familiares, colegas de trabalho e amigos mais íntimos. “Não quero escrever esse livro para publicar ou vender, quero apenas contar a minha história. Já vivi muita coisa nessa vida e acho que minha atitude pode encorajar outras pessoas a mudar de atitude”, finalizou.

CAP oferece diversas atividades às pessoas com deficiência.
(Foto: Eduardo Gomes/SEE)

CAP/AC

Criado no ano 2000, o CAP/AC antes era conhecido como Centro de Apoio ao Deficiente Visual (CEADV). O modelo foi proposto pela Associação dos Professores Cegos do Brasil e se tornou referência nos estados.

A instituição já formou inúmeros alunos em diversos cursos. Pessoas que receberam instruções no CAP já atuam em instituições de ensino e hoje auxiliam no processo educacional inclusivo.

São os profissionais do CAP que também produzem a maioria do material didático utilizado pelos estudantes da rede pública. Os livros tradicionais são codificados em formatos acessíveis.

Segundo a coordenadora do centro, Gercineide Maia, o estilo e a qualidade de vida dos deficientes visuais atendidos pelo CAP mudam a partir do ingresso deles nas atividades.

“A proposta é orientar professores, alunos e a sociedade quanto ao processo de inclusão da pessoa com deficiência visual. Nós trabalhamos com o educacional, e isso reflete no social. Lutamos pela autonomia dessas pessoas, em casa, na relação com os amigos e no mercado de trabalho”.


Matéria publicada em: http://www.agencia.ac.gov.br/jose-o-paulista-que-perdeu-a-visao-e-se-tornou-professor-no-acre/
Data: 22/11/2017